financeiroGilberto Lopes · Financeiro e Jurídico5 min de leituraAtualizado em 11 de outubro de 2026

DRE do Imóvel de Temporada: Sua Operação Dá Lucro?

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Direto ao ponto

Para saber se o imóvel de temporada dá lucro, não basta olhar o saldo da conta: ele mistura dinheiro que ainda vai sair, repasses atrasados e gastos pessoais. A DRE organiza o mês em receita, custos e resultado, linha por linha, e mostra quanto a operação deixou de fato. Montar uma DRE simples por imóvel, todo mês, é o que permite comparar meses, imóveis e canais com o mesmo critério.

O que a DRE mostra que o saldo da conta não mostra

A DRE, demonstração do resultado do exercício, é o resumo de quanto entrou, quanto custou e quanto sobrou num período. O saldo bancário responde outra pergunta: quanto dinheiro existe agora.

Em temporada, as duas respostas se afastam com facilidade. A plataforma repassa o valor de uma reserva semanas depois da venda; o condomínio do mês vence depois do mês fechado; uma manutenção paga hoje serve para o ano todo. O saldo pode estar alto num mês de prejuízo e baixo num mês de lucro. A DRE corrige isso ao colocar cada receita e cada custo no mês a que pertencem.

As linhas de uma DRE de temporada

A estrutura é a mesma para um imóvel ou para vários. O que muda é o detalhamento de cada linha:

LinhaO que entra
Receita brutaDiárias e taxas cobradas do hóspede
(−) DeduçõesComissões das plataformas e do gateway
= Receita líquidaO que fica depois das deduções
(−) Custos variáveisLimpeza, lavanderia, amenities, consumo
= Margem de contribuiçãoQuanto as reservas pagam dos custos fixos
(−) Custos fixosCondomínio, IPTU, internet, sistemas
= Resultado operacionalLucro antes de impostos e juros
(−) Impostos e jurosTributos do período e juros de dívida
= Resultado líquidoO que a operação deixou no mês

A divisão entre custo fixo e custo variável é o que dá utilidade à DRE: o custo variável cresce com a ocupação, o fixo não. É essa separação que mostra quanto cada reserva contribui para pagar a estrutura.

Um exemplo com números

Um exemplo hipotético de um mês de um apartamento:

  • Receita bruta: R$ 12.000.
  • Comissões das plataformas: R$ 1.800.
  • Receita líquida: R$ 10.200.
  • Custos variáveis (limpeza R$ 1.400, lavanderia R$ 300, amenities R$ 200): R$ 1.900.
  • Margem de contribuição: R$ 8.300.
  • Custos fixos (condomínio e IPTU R$ 1.500, luz e água R$ 700, internet R$ 150, sistemas R$ 250): R$ 2.600.
  • Resultado operacional: R$ 5.700.
  • Impostos do período, que dependem do enquadramento de cada caso (aqui, R$ 600 só para o exemplo): R$ 600.
  • Resultado líquido: R$ 5.100.

O número que mais ensina não é o último. É a margem de contribuição: com R$ 8.300 de margem e R$ 2.600 de custo fixo, o imóvel tem folga. Se a margem cair para perto do custo fixo num mês de baixa, o imóvel passa a operar no limite. Esse ponto é o break-even.

Caixa ou competência: qual critério usar

Existem dois jeitos de colocar os valores no mês. Pelo regime de caixa, a receita entra quando o dinheiro chega e a despesa quando é paga. Pelo regime de competência, cada valor entra no mês a que se refere: a diária de setembro conta em setembro, mesmo que a plataforma pague em outubro.

Para decidir, a competência mostra melhor o desempenho do mês. Para controlar o dinheiro, o caixa é mais fiel. O essencial é escolher um critério e manter, para que um mês possa ser comparado com o outro. A diferença entre os dois está detalhada no verbete de regime de caixa e competência.

Por imóvel, por proprietário ou pela operação inteira

Quem tem um imóvel faz uma DRE só. Quem tem vários precisa de uma por imóvel e de uma consolidada: a soma esconde o imóvel que dá prejuízo atrás dos que dão lucro.

Para uma administradora, há uma distinção importante. A receita da administradora não é o aluguel do proprietário, é a taxa de administração que ela cobra. A DRE da empresa de gestão tem como receita essas taxas, e como custos a equipe, os sistemas e a estrutura dela. A DRE de cada imóvel, com o aluguel inteiro, é a base do repasse ao proprietário e do relatório mensal que ele recebe.

O que fazer com o resultado

A DRE só vale se gerar decisão. Três perguntas para fazer todo mês:

Para a DRE ter números confiáveis, três coisas precisam estar no lugar: o dinheiro dos imóveis separado das contas pessoais, assunto de como separar o dinheiro dos imóveis; o caixa acompanhado por imóvel, em fluxo de caixa com vários imóveis; e, quando a operação cresce, alguém para cuidar da parte fiscal, tema de quando contratar um contador.

No Staymin, o relatório financeiro soma receitas e despesas do período por categoria e mostra o saldo, com filtro por imóvel, e pode ser exportado em planilha ou PDF. Ele é um ponto de partida para montar a DRE de cada imóvel sem reconstruir os lançamentos à mão.

Perguntas frequentes

Preciso de contador para fazer a DRE do meu imóvel?

Para a DRE gerencial, aquela que você usa para decidir, não. Ela pode ser montada numa planilha ou num sistema, com os seus próprios lançamentos. O contador entra quando a DRE precisa ter valor contábil ou fiscal, como numa empresa, ou quando você quer ajuda para enquadrar a operação.

Com que frequência devo olhar a DRE?

Mensalmente, para acompanhar o resultado, e no acumulado do ano, para ver o efeito da sazonalidade. Um mês isolado engana em temporada: o pico infla o resultado e a baixa derruba, e só a soma do ano mostra se a operação se sustenta.

A DRE serve para quem tem um imóvel só?

Serve, e talvez seja ainda mais útil, porque com um imóvel só é fácil confundir o dinheiro que sobrou na conta com o lucro. A DRE separa receita, custos e resultado, e mostra quanto o imóvel realmente deixou no mês.

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

A DRE mostra se a operação deu lucro no período. O fluxo de caixa mostra quando o dinheiro entra e sai da conta. Uma operação pode ter lucro e ficar sem caixa num mês, por exemplo quando o repasse da plataforma atrasa ou uma manutenção grande cai de uma vez.

Devo incluir a parcela do financiamento na DRE?

Os juros do financiamento são despesa e entram na DRE. A parte da parcela que amortiza a dívida não é despesa: ela reduz o que você deve, e por isso aparece no fluxo de caixa, não no resultado. Misturar as duas coisas faz o lucro parecer menor do que é.

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