Escolher um sistema de gestão para aluguel de temporada é difícil por um motivo simples: o site de cada fornecedor é uma página de vendas, e comparar um contra o outro exige traduzir termos que não significam a mesma coisa em todo lugar — “PMS”, “channel manager”, “motor de reservas”, “integração”. Um diz que conecta a “mais de 100 canais”; outro não nomeia nenhum. Um mostra o preço; outro pede que você fale com um consultor.
Para uma operação de temporada no Brasil, os sistemas nacionais (Stays, Staymin, ReservasHub, Hospedin) tendem a encaixar melhor por suporte em português, cobrança em real e conexão com os canais que importam aqui; os internacionais (Guesty, Hostaway, iGMS, Hospitable, Beds24, Cloudbeds) trazem catálogos de integração maiores e conexão de API mais ampla, mas cobram em moeda estrangeira e sem localização fiscal. A escolha real é entre profundidade de integração e aderência ao mercado local — e depende mais do porte da operação do que da marca.
Como este comparativo foi feito
Cada dado — preço, funcionalidade, integração — vem do site oficial da empresa (página inicial, página de preços, página de funcionalidade), com o link da página de onde foi lido. A coleta é de 10 de setembro de 2026. Quando a empresa não publica um dado (preço sob consulta, número de canais não informado), a entrada diz “não divulgado publicamente”. A entrada do Hospedin foi revisada nesta mesma data, depois da publicação inicial, ao verificar diretamente as páginas do Gestor de Canais e do Motor de Reservas.
Nenhum valor de mensalidade é citado em número. Preço muda; o que compara melhor é o modelo de cobrança — se é público, se há comissão sobre reserva, se é em real ou em moeda estrangeira, se há taxa de implantação.
Este comparativo é publicado pela Staymin, e a Staymin é uma das entradas. Os dados dos concorrentes vêm do site oficial de cada um, inclusive nos pontos em que eles oferecem mais que a Staymin.
A numeração é só índice: a lista está agrupada por origem (sistemas nacionais primeiro) e não é um ranking. O campo “Melhor para” de cada entrada cruza com os perfis de operação de casos de uso.
O eixo que separa os sistemas: a conexão com os canais
Antes das entradas, a distinção que mais pesa. Um sistema pode sincronizar com Airbnb, Booking e Vrbo de duas formas: por iCal (troca de arquivos de calendário em intervalos de minutos a cerca de uma hora) ou por API oficial (atualização em segundos, geralmente incluindo preço, não só disponibilidade). A Central de Integrações do Staymin explica por que o iCal resolve o overbooking na maioria das operações menores e onde a API passa a fazer diferença.
Airbnb e Booking liberam acesso de API apenas para sistemas aceitos nos seus programas de parceria — por isso, entre os sistemas desta lista, quem tem API oficial exibe selos de “parceiro” das plataformas, e quem não tem trabalha por iCal. As duas abordagens resolvem o overbooking; a diferença aparece no volume de reservas simultâneas em datas concorridas.
Sistemas brasileiros
1. Stays.net
PMS brasileiro para aluguel de temporada, com channel manager e motor de reservas próprio — o sistema mais estabelecido do mercado local de temporada.
A favor:
- Conexão via API oficial, com selos de parceria exibidos no site: Airbnb Preferred Partner, Booking Premier Connectivity, Expedia, Vrbo e Decolar (stays.net).
- Mais de 25 canais e um “App Center” com mais de 30 integrações nativas, além de API aberta para desenvolvimento (stays.net).
- Página de preços pública, com planos organizados por porte de operação (stays.net/precos).
- Empresa brasileira, suporte em português.
Limitações:
- Cobra um percentual sobre cada reserva, além da mensalidade, em todos os planos (stays.net/precos).
- Cobra taxa de implantação, com valor sob consulta — “varia de acordo com as suas necessidades, plano e modelo de implementação” (stays.net/precos).
- Contrato com fidelidade inicial de 6 meses; depois disso, cancelamento a qualquer momento (stays.net/precos).
Melhor para: administradora em crescimento ou operação grande de temporada que já justifica a API oficial e a taxa de implantação.
2. Staymin
Sistema de gestão para anfitriões e administradoras de temporada — reservas, financeiro e repasse de proprietário, com foco em quem opera sozinho ou com uma a duas pessoas, sem estrutura de TI.
A favor:
- Preço público: o simulador na página inicial mostra o plano e o valor por porte antes de qualquer contato comercial — sem taxa de implementação, sem taxas escondidas e sem comissão sobre reservas.
- Plano único — todos os recursos (reservas, financeiro, repasse) em qualquer plano, sem módulo extra para vender depois.
- Repasse de proprietário como função central, com geração de relatório de repasse.
- Foco declarado em operação pequena e média (sobre a Staymin), com os perfis detalhados em casos de uso.
- Teste grátis de 10 dias, sem cartão de crédito — acesso liberado assim que o cadastro é confirmado por e-mail, direto em app.staymin.com.br/teste-gratis.
- O controle que hoje toma uma tarde por semana — abrir a aba certa, atualizar a fórmula de repasse, conferir cada imóvel manualmente — acontece automaticamente.
Limitações:
- A sincronização de calendário hoje é por iCal, não por API direta com Airbnb e Booking — há um atraso de minutos entre a reserva num canal e o bloqueio nos outros. A integração direta via API já está em desenvolvimento (o plano “Staymin + Integrações”, hoje marcado como “Em breve” no site) — sem data prometida.
- Produto novo: o catálogo de integrações de terceiros é menor que o dos sistemas mais antigos.
Melhor para: co-anfitrião e administradora em crescimento, até 50 imóveis, saindo da planilha e que quer preço previsível.
3. ReservasHub
Channel manager brasileiro com guia do hóspede, voltado a temporada, Airbnb e pousadas — abordagem técnica próxima à do Staymin.
A favor:
- Página de preços pública e completa, com planos por número de imóveis (reservashub.com.br).
- Sem taxa de setup e teste grátis longo — “3 meses grátis, sem cartão” (reservashub.com.br).
- Empresa brasileira, foco em temporada.
Limitações:
- Sincronização só por iCal — a própria empresa afirma no site que “Airbnb e Booking não liberam API” (reservashub.com.br). Mesma limitação técnica do Staymin.
- Escopo mais estreito: é channel manager mais guia do hóspede; o site não detalha um módulo financeiro e de repasse de proprietário como um PMS completo.
- Não divulga base de clientes nem números de escala.
Melhor para: co-anfitrião e administradora pequena que quer o mínimo — sincronizar canais e enviar o guia do hóspede — sem um PMS inteiro.
4. Hospedin
Não é um pacote único — são 3 produtos brasileiros vendidos separadamente: PMS, Gestor de Canais (channel manager) e Motor de Reservas, cada um contratado à parte, voltados a hotel, pousada e hostel.
A favor:
- PMS com preço público, cobrado por unidade habitacional (quarto, apartamento, cama), com teste grátis de 10 dias (hospedin.com/software-para-hoteis-e-pousadas).
- O Gestor de Canais nomeia os canais no próprio site — Booking, Airbnb, Decolar, Expedia, Tripadvisor, Agoda, Hostelworld e HRS, entre outros —, com “sincronização automática” da disponibilidade entre eles (hospedin.com/channel-manager).
- O Motor de Reservas funciona de forma independente do Gestor de Canais — dá pra ter reserva direta pelo site sem contratar a sincronização de canais (hospedin.com/motor-de-reservas).
- Empresa brasileira, suporte em português; base grande (segundo o site, mais de 2.600 clientes e mais de 256 mil unidades habitacionais) (hospedin.com).
- Integrações nomeadas com sistemas do ecossistema hoteleiro: HSystem, Bukly, Omnibees (hospedin.com).
Limitações:
- Voltado a hotelaria, não a casas e apartamentos inteiros de temporada.
- O preço público é só do PMS. O Gestor de Canais e o Motor de Reservas — onde a sincronização com Airbnb, Booking e os outros canais de fato acontece — são vendidos à parte, sem preço público, com cobrança mensal mais taxa de implantação paga uma única vez (hospedin.com).
- O site descreve a sincronização como “automática”, sem usar o termo API — o método técnico exato não fica claro. O próprio site reconhece um risco residual de overbooking mesmo com a sincronização ativa: reduz em 99%, não elimina por completo (hospedin.com/channel-manager).
- Gestor de Canais e Motor de Reservas não têm teste grátis — só o PMS (hospedin.com).
Melhor para: pousada e hostel — o perfil de “pousada/hostel” de casos de uso.
5. InnSync
Camada de atendimento e operação que roda sobre um PMS (integra com Stays e Hospedin, e também funciona “sem PMS”). Não é um sistema de gestão nem um channel manager por si só.
A favor:
- Preenche a lacuna de atendimento: “Carmen” (IA que responde no WhatsApp), inbox unificada, coleta de documentos do hóspede, “InnSign” para assinatura de contrato, ferramentas de upsell (innsync.com.br).
- Sem taxa de implantação (innsync.com.br).
- Empresa brasileira.
Limitações:
- Não substitui um PMS nem um channel manager — é um complemento; a gestão de reservas e a sincronização de canais continuam por conta de outro sistema (innsync.com.br).
- Só a trilha de entrada tem preço público; as maiores são “investimento conforme a configuração” (innsync.com.br).
- Não divulga base de clientes.
Melhor para: administradora que já tem um PMS e quer melhorar atendimento e automação de comunicação sem trocar o sistema de base.
Sistemas internacionais
6. Guesty
PMS e channel manager internacional (Estados Unidos / Israel), do host individual ao enterprise.
A favor:
- Conexão via API direta com Airbnb, Vrbo, Booking e Expedia, com status de parceiro de topo em cada um — Airbnb Preferred+, Vrbo Elite, Booking Premier Connectivity (guesty.com).
- Mais de 60 canais nos planos Pro e Enterprise (guesty.com).
- Plataforma completa (canais, hóspede, precificação, operação, financeiro) que, segundo a empresa, não força troca de sistema conforme a operação cresce (guesty.com/pricing).
- Tem site em português (guesty.com).
Limitações:
- Cobrado em dólar, por anúncio (guesty.com/pricing).
- Só o plano de entrada (Lite, 1 a 3 anúncios) tem preço listado; Pro e Enterprise são sob consulta — “get a quote” / “customized offer” (guesty.com/pricing).
- Downgrade de plano só no fim do contrato (guesty.com/pricing).
- Site em português, mas sem conteúdo nem localização fiscal para o Brasil.
Melhor para: administradora em crescimento ou operação grande com portfólio também fora do Brasil.
7. Hostaway
PMS e channel manager internacional (Canadá), voltado a gestores de portfólio em crescimento.
A favor:
- APIs diretas de duas vias com Airbnb, Vrbo, Booking, Expedia, Google e site próprio, com “preferred partner status” (hostaway.com).
- Sincronização descrita como de baixa latência (hostaway.com).
Limitações:
- Preço não divulgado publicamente — o site só coleta o número de anúncios e encaminha para uma proposta (hostaway.com/pricing).
- Não atende operação de 1 imóvel — o menor segmento é de 2 a 14 anúncios; 1 anúncio vai para lista de espera (hostaway.com/pricing).
- Interface em inglês, sem localização para o Brasil.
- O número total de canais não é informado no site — só os principais são nomeados.
Melhor para: operação grande, sem necessidade de suporte em português.
8. iGMS
Sistema de gestão e automação para hosts de temporada, internacional (Canadá).
A favor:
- Página de preços pública e detalhada, com dois modelos de cobrança (por noite reservada ou por imóvel), e o preço por imóvel cai com o volume (igms.com/pricing).
- Canais nomeados: Airbnb, Vrbo, Booking.com, Expedia, TripAdvisor, além de site direto (igms.com/pricing).
- Sem taxa de cancelamento para assinantes mensais e sem taxa de setup (igms.com/pricing).
- Tem teste grátis (igms.com/pricing).
Limitações:
- Cobrado em dólar, por imóvel; sem localização para o Brasil (interface, suporte, integração fiscal).
- Site de reservas, gestão de receita e recursos de IA só nos planos superiores (PRO e PRO+) (igms.com/pricing).
- Conexão mista: API para os canais grandes e iCal para outros (igms.com/pricing).
Melhor para: host individual ou administradora pequena com imóveis também no exterior.
9. Hospitable
Automação de mensagens e gestão para hosts de temporada, internacional (Estados Unidos).
A favor:
- Tem um plano gratuito (Essentials) e teste de 14 dias sem cartão (hospitable.com/pricing).
- Canais: Airbnb, Vrbo, Booking.com e Agoda (hospitable.com/pricing).
- iCal e acesso a API nos planos superiores; site de reserva direta a partir do plano Professional (hospitable.com/pricing).
Limitações:
- A estrutura de planos é pública, mas o valor exato só aparece depois de informar o número de propriedades — não há uma tabela de preços fixa (hospitable.com/pricing).
- Precificação dinâmica é cobrada à parte, por propriedade; as taxas sobre reserva direta variam por plano (hospitable.com/pricing).
- Cobrado em dólar, sem localização para o Brasil.
- Foco em automação de comunicação — o módulo financeiro e de repasse de proprietário é menos central que num PMS completo.
Melhor para: host individual cujo problema principal é responder hóspede, não fechar repasse.
10. Beds24
Channel manager e PMS internacional (Alemanha), com modelo de cobrança pague-conforme-usa.
A favor:
- Conexões certificadas e oficiais, com selos de parceria 2026: Airbnb Preferred+ Software Partner, Booking connectivity partner, Expedia Elite, Vrbo preferred (beds24.com).
- Mais de 80 OTAs e operadores nomeados — Airbnb, Booking, Expedia, Vrbo, Agoda, Trip.com, Hotels.com, Trivago, TripAdvisor e outros (beds24.com).
- Sem contrato, sem prazo mínimo, sem taxa de setup; teste grátis sem cartão (beds24.com/pricing).
Limitações:
- Cobrança em euro (aceita outras moedas no pagamento, mas a conta é em EUR), sem localização para o Brasil (beds24.com/pricing).
- Modelo com add-ons cobrados separadamente — cada conexão de canal é uma cobrança, além de usuário extra e subdomínio — então o valor final não é evidente de antemão (beds24.com/pricing).
Melhor para: administradora com perfil técnico, ou com portfólio internacional, que quer controle fino de configuração.
11. Cloudbeds
PMS, channel manager e gestão de receita internacional (Estados Unidos), forte em hotel, hostel e pousada, com presença real no Brasil.
A favor:
- Mais de 450 OTAs; nomeadas: Booking, Airbnb, Vrbo, Expedia, Google, Tripadvisor e Agoda (cloudbeds.com).
- Selos: Airbnb Preferred Partner, Booking Partner e Expedia Elite (cloudbeds.com).
- Suporte em português e presença real no Brasil, com atuação em 150 países (cloudbeds.com/pt).
- Conectividade mista: XML de duas vias, API e iCal (cloudbeds.com).
Limitações:
- Preço não divulgado publicamente — só sob consulta; o site pede os dados da propriedade para “criar um plano” (cloudbeds.com/pt).
- Voltado a hotelaria e grupos multi-propriedade — para quem administra casas e apartamentos inteiros de temporada, boa parte da plataforma (recepção, gestão de receita de hotel) não se aplica (cloudbeds.com/pt).
- O site oficial não menciona integração fiscal brasileira (NFS-e) nem PIX (cloudbeds.com/pt).
Melhor para: pousada, hostel ou hotel — não para a operação de temporada de imóveis inteiros.
Qual escolher, por porte de operação
- Saindo da planilha, 1 a 50 imóveis, sem equipe: um sistema nacional com preço público e sem comissão — Staymin ou ReservasHub — reduz o risco de surpresa na fatura, e elimina o trabalho de manter fórmula e aba atualizadas manualmente a cada imóvel novo (veja os sinais de que a planilha virou gargalo). A sincronização por iCal costuma resolver o overbooking nessa faixa.
- Administradora em crescimento, temporada, 15 a 50 imóveis: aqui a API oficial começa a se pagar (menos janela de overbooking, sincronização de preço). Stays no Brasil; Guesty ou iGMS se houver portfólio fora do país.
- Operação grande, dezenas a centenas de imóveis: Stays, Guesty e Hostaway são os desenhados para esse volume — os dois últimos sem suporte em português.
- Pousada, hostel ou hotel: Hospedin ou Cloudbeds, que são feitos para gestão por unidade habitacional, não por imóvel inteiro.
- Já tem sistema e o gargalo é atendimento: InnSync como camada sobre o que você já usa.
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